A Noite (Luzes da Cidade)
A Noite (Luzes da Cidade) Olho pela janela. A cidade não quer se calar. As luzes falam. Ouço as vozes de aflição, poluição, destruição. Vozes do tempo. Tempo esse que se passa e a cidade não se cala. Será que o tempo passa mais devagar para mim. Me deito. Já perdida a certeza de quando me deitei, adormeço. Sinto que vou acordar. Finalmente acontece. Olho novamente pela janela. As luzes ainda falam. Mas agora escuto silêncio. Uma calmaria. A cidade adormeceu. Uma ou outra luz acesa. Os angustiados como eu, estão acordados. Percebo uma estranha movimentação. As luzes se apagaram. Ah, estou sozinho. Lá longe no alto do morro, uma luz me acompanha. Não me deixe só... Me deixou. Percebo a imensidão adormecida. Olho para o alto. Já vai clarear. Azul e rosa está o céu. Me deito. Acordo já com o céu alaranjado. As luzes acendem e apagam, num piscar de olhos. Percebo a imensidão agitada. O tempo passou. E com ele a noite se esvaiu. Lá se foi uma madrugada desperdiçada. Podia ter dormido. A in...