Lembranças

Lembranças

Era um dia calmo, tranquilo. O balanço do mar me fazia pensar. Pensava na vida, em mim, em meu neto. Fui acordá-lo. Lá estava ele . Deitado na cama, os cobertores jogados ao chão. Acordei-o. Tomamos café e lemos o jornal. Mal terminamos a refeição e ele já me pedia que lhe contasse histórias. Sentei na cadeira e ele no chão:

- Vovó?
- Oi, meu neto!
- É que... É que eu quero uma história diferente das outras, hoje!
- Como assim?
- Eu quero que me conte a história dos meus pais!
Pensei:
- Não! Respondi
- Por favor
  Ele continuou insistindo. Concordei. Comecei a contar a história. Lhe contei sobre o primeiro encontro, um pouco estranho. Sobre o segundo, em um barco de madeira. Sobre as cartas e juras de amor, o casamento na floresta e o acampamento. Sobre a sofrida gravidez. As partes tristes que sempre estão presentes em nossas vidas, também tive de contar. A doença da mãe e sua morte. O acidente de carro e morte de meu filho. Oh, meu filho! Terminada a história, choramos. As lágrimas vieram como gotas de chuva enviadas por São Pedro. Depois disso, refleti muito. E concluí que lembranças de vida (ou morte) são marcas eternas. Vão sempre permear os meus pensamentos.

Comentários

  1. Para variar, Davi, você brilhante. Gostei muitíssimo. Me lembrei muito do meu neto, você. Graças a Deus não temos, em nossas vidas, histórias tão tristes. Beijão do Vovô Manuel

    ResponderExcluir
  2. Linda história Davi. Gostei muito e espero que você continue a nós alegrar com sua curtas mas ótimas histórias. Agora sou seu seguidor. Obrigado!


    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Cartas Na Mesa (Apresentação)

Lágrima E Lástima

Quarto 309 (Parte III)